Setembro Amarelo: Precisamos falar sobre o suicídio

Se inicia mais um mês do ano, setembro, e com ele mais uma campanha de conscientização. Elas foram criadas como um alerta para a sociedade de forma a trazer temas relevantes à tona para refletirmos e debatermos. Nesse mês, o amarelo foi escolhido para tratar de um assunto importante: o suicídio.



A escolha da cor amarelo para essa campanha se deu em homenagem ao jovem americano Mike Emme que, no ano de 1994, cometeu suicídio aos 17 anos de idade. Jovem alegre e sem indícios de adoecimento ou pensamentos suicidas, conhecido por seu Mustang amarelo, chocou a todos ao tirar sua própria vida. Diante do acontecimento familiares e amigos iniciaram uma campanha com fitas amarelas incentivando pessoas a buscarem por ajuda.


Desde 2003, a OMS estabeleceu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No Brasil, a partir de 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo®. É importante ressaltar que várias outras organizações e indivíduos têm contribuído para o fortalecimento da campanha.


De acordo com o site oficial da campanha no Brasil, são registrados mais de 13 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.


Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2016, o suicídio foi a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos, tratando-se de um grave problema de saúde pública.


O suicídio, mesmo que atualmente seja um tema mais discutido, ainda gera desconforto e muitas vezes está cercado de incompreensão.


Muitos que cogitam o autoextermínio, encontram diversas barreiras e algumas vezes, ao desabafar, recebem respostas como por exemplo “isso não passa de frescura”, “você só quer chamar atenção”. Mas, não é! É uma questão real e trata-se de um adoecimento que pede cuidados.


O que realmente se passa na cabeça de alguém que vem a tirar a própria vida é uma questão subjetiva e complexa. Por quê aquela escolha foi a única saída? O que leva a pessoa ao ato final?


Entender como o suicídio acontece parece realmente um quebra cabeça. E os motivos que levam até ele ou a tentativa podem ser vários. Quando alguém cogita o suicídio, na maioria das vezes, não é a vida de fato o que ela deseja interromper, mas sim fazer seu sofrimento cessar.


Dores emocionais podem levar o indivíduo a se isolar, uma vez que podem se sentir incompreendidos pelas pessoas a sua volta.


Ter canais de escuta empática, já é uma forma de prevenção. Ligando para o número 188 é possível receber apoio emocional de modo anônimo e gratuito, sendo uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV). O site Setembro Amarelo® oferece várias informações sobre o tema, por exemplo a cartilha "Suicídio - Informando para prevenir".


Em alguns casos, é necessária uma ajuda especializada. Profissionais da área de Saúde Mental, como por exemplo psicólogos e psiquiatras, poderão realizar uma avaliação clínica e dar um direcionamento técnico conforme cada individualidade e contexto. Existem opções para esse tratamento tanto na rede privada como pública.


As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), podem também ser um caminho de apoio no processo de reequilíbrio. A busca pelo autocuidado e o autoconhecimento fortalecem o indivíduo na promoção de estados psicoemocionais saudáveis e positivos, auxiliando na superação das adversidades.


Diante disso, o Setembro Amarelo possui grande importância, trazendo esse assunto à tona e assim possibilitando que revisitemos como nossa sociedade trata esse tema, tanto institucionalmente quanto em nossas ações individuais.


É inegável o valor de uma vida e ao nos depararmos com alguém que desiste de viver, ficamos impactados e somos levados a refletir em como temos vivenciado as nossas dores emocionais e as dos outros. O suicida não tem um perfil definido: ele pode ser o garoto sorridente, a menina popular, o profissional de sucesso, a mãe de família.


Se você está pensando em desistir da vida, ou conhece alguém nessa situação: peça ajuda.


REFERÊNCIAS


OPAS - ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Suicídio. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio. Acesso em: 02 set. 2021.


Setembro Amarelo. A campanha Setembro Amarelo® salva vidas! Disponível em: https://www.setembroamarelo.com/. Acesso em: 02 set. 2021.

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