Os cinco princípios do Reiki (GOKAI) e dicas para o autoconhecimento e bem estar

Você já ouviu falar sobre os cinco princípios do Reiki e como eles podem nos ajudar em nossa vida cotidiana? Nesse texto vou comentar com você sobre esse importante tema que, infelizmente, muitos reikianos não conhecem bem. Também fornecerei várias dicas de como poderá aplicar isso em sua vida, seja você praticante ou não.



Conhecendo os cinco princípios


Será que o Reiki serve apenas para aliviarmos sintomas e auxiliar a tratar doenças? Não. O Reiki é um caminho de aprimoramento contínuo e promoção de bem-estar do indivíduo em sua integralidade, ajudando-o a ter mais autoconhecimento, harmonia emocional, desenvolvimento pessoal e muito mais. Portanto podemos nos beneficiar tanto na recuperação, quanto na prevenção de desequilíbrios.


Atualmente já é bem aceita a ideia de que muitos de nossos sintomas e doenças tem íntima relação com nossos maus hábitos de corpo, fala e mente, através de seus padrões nocivos. Além da prática meditativa e tantas técnicas de tratamento disponibilizadas no Reiki, uma importante orientação vem nos apoiar nesse processo de conquista de saúde integral e felicidade. A base do Reiki são os Gokai, os cinco princípios do Reiki.


Esses princípios nos servem como um mapa, fornecendo tanto um norte que desejamos alcançar, quanto uma noção de onde estamos no caminho para assim realizarmos as correções de rota necessárias. Muito além de frases para serem ditas mecanicamente, os princípios devem ser recitados diariamente e contemplados relacionando-os diretamente com nossa vida cotidiana. Eles contêm muitas chaves para transformação pessoal e melhoria de nossa relação conosco, com o outro e com o planeta. Vejamos uma tradução possível e entre parênteses os princípios originais.


A arte secreta de convidar a felicidade,

A remédio milagroso para todas as doenças.


* Só por hoje: (Kyo dake wa)

* Não se zangue, (Ikaru-na)

* Não se preocupe, (Shinpai suna)

* Seja grato, (Kansha shite)

* Cumpra seus deveres com afinco (Gyo o hage me)

* Seja gentil para as pessoas. (Hito ni shinsetsu ni)


De manhã e à noite, sente-se na posição Gassho e repita

estas palavras em voz alta e dentro do seu coração.


Para a melhoria da mente e do corpo.


Usui Reiki Ryōhō.


O fundador,

Mikao Usui


Farei agora alguns comentários livres com base em minhas reflexões sobre cada um dos princípios.


Só por hoje (Kyo dake wa)


Essa expressão introduz todos os cinco princípios e por si mesma já traz muitas ideias interessantes. Costumamos oscilar muito nossa energia com pensamentos relacionados ao passado ou ao futuro, imersos em expectativas diversas, e assim perdemos grandes oportunidades de fazer aquilo que nos cabe e que é possível realizar no hoje, no aqui e agora. Podemos olhar para nossas experiências passadas com fins de aprendizado bem como podemos traçar planos e estratégias para o futuro para nortear nosso passo a passo em direção ao que almejamos. O problema é que nos perdemos em constante distração mental e esquecemos que o presente é o único tempo real onde podemos atuar. Quando pensamos em grandes projetos, todo planejamento é relevante, mas se nos perdermos nessa visão, podemos gerar ansiedade, angústia e desgaste desnecessários. Podemos optar por direcionar nossa energia a cada dia, dando um passo possível de cada vez e apreciando cada momento do caminho que escolhemos trilhar.

Primeiro princípio: Não se zangue (Ikaru na)


Uma das grandes causas de desgaste é a raiva e a irritação. Alguém ou alguma coisa te incomoda atualmente? O primeiro entendimento importante é que as situações externas são impermanentes e podem facilmente não atender nossas expectativas e desejo de controle. Essa é uma grande lei da vida, tudo flui a seu tempo e a seu próprio modo e dessa forma sofremos por esperar que tudo seja do jeito como gostaríamos.


Frente a essa realidade, o que podemos então fazer? Entendemos inicialmente que tudo tem liberdade para se mover em qualquer direção, mesmo a nosso contragosto. Não podemos controlar o resultado externo, apenas fazer o melhor dentro do que nos cabe. No entanto, podemos treinar uma mente que não fica alimentando ou retendo esse sentimento nocivo de incômodo, que nos desgasta. Fácil? Talvez nem tanto. Possível? Sim.


A prática da meditação vai nos dar grande auxílio e também a noção de que podemos ficar atentos e evitar ficar revisitando as experiências desagradáveis deliberadamente, por exemplo quando ficamos falando sobre elas continuamente para outras pessoas, sem nenhum objetivo salutar, apenas para falar mal de algo ou alguém, por ter irritado ou contrariado você. Nesse sentido essas emoções nocivas são como uma fogueira, que surge naturalmente, mas que tende a reduzir seu impacto com o passar do tempo, caso não fiquemos alimentando vez após vez. Nesse ponto, ainda nem falamos ainda de perdão ou compaixão.


Encaro esse princípio como uma decisão de não me fazer mais mal do que o próprio fato, e deixar que a paz floresça em meu ser, para meu próprio bem estar e consequentemente fluindo benefícios para as minhas relações. Decida cultivar paz e bem estar, e solte as correntes que nos mantem ligados a pessoas e a situações tóxicas.


A contemplação desse princípio e a meditação vão nos ajudar a desenvolvermos equanimidade, o que é um grande termômetro do nosso avanço. A ideia é que as circunstancias externas, cada vez menos, tenham poder de nos desequilibrar, nos tornando então mais resilientes e capazes de usufruir de mais contentamento e tranquilidade em nossa jornada.  Na verdade não sabemos o que o outro viveu para estar se manifestando de determinada forma que nos desagrada. Nem sabemos se não agiríamos de modo semelhante se tivéssemos a mesma história e circunstância que o outro viveu. Libere o outro. Escolha a paz.


Outra técnica que criei para me ajudar a trabalhar esse princípio é a “regra do 3”. Se eu sinto raiva, incômodo, irritação ou desconforto, frente a alguma pessoa ou situação, eu escolho três caminhos. Se eu necessito tomar alguma decisão urgente, que deve ter uma resposta imediata, e estou submetido ao impacto das emoções, eu espero três minutos antes de responder. Nesse tempo, respiro profundamente várias vezes, e sempre que expiro vou liberando um pouco daquela carga de tensões. Se possível caminho um pouquinho para fazer a energia circular também.


No caso de haver mais prazo para minha resposta, aguardo então três horas. Faço o mesmo exercício de respiração e movimento o corpo um pouco. No entanto, é importante que nesse tempo você não retenha o nível de tensão através de ficar comentando, desnecessariamente, com outras pessoas sobre o ocorrido. Tente relaxar o máximo que for possível, deixando que o fluxo das emoções se harmonize um pouco mais. No início você perceberá que não é tão fácil, mas verá que é possível e cada vez mais alcançará o poder de se manter equilibrado mesmo frente a situações difíceis, de maneira mais rápida e com menos esforço. Tudo é questão de treino.


Vamos então a última “regra do 3”. Se a decisão a tomar é de grande impacto na sua vida e na de outras pessoas, e não tem a obrigatoriedade de ser tomada hoje, aguarde três dias. Deixe que sua mente fique mais clara e ganhe mais discernimento. A fogueira das emoções já estará muito sutil, caso não a tenha alimentado desnecessariamente.

Segundo Princípio: Não se preocupe (Shinpai suna)


Quanto tempo em nosso dia estamos realmente presentes no aqui e no agora? Grande parte de nosso dia, como não cuidamos de treinar nossa mente, somos facilmente arrastados por ventos internos. Distraídos, vagamos entre passado e futuro. Expectativas, remorso, preocupações das mais diversas nos roubam energia e nossa saúde.


Ter objetivos e sonhos é importante para nos guiarmos na vida, mas devemos realizar em cada momento aquilo que cabe ao momento e deixar realmente para depois, externa e internamente, aquilo que não pode ser feito agora. Estarmos mais atentos pode beneficiar-nos em muitos aspectos e até mesmo melhorar nossas relações. É comum nos reunirmos com amigos, e em parte desse tempo, estarmos dispersos. Assim, não aproveitamos de fato a singularidade de cada encontro.


Pude acompanhar muitos casos de jovens que se preparam para vestibular ou concursos. Tamanha é a tensão, expectativas e ansiedade, que muitos deles tem um mal desempenho nos testes, não por falta de conhecimento, para por esse desgaste. Então como podemos solucionar isso? Mais uma vez a prática constante da meditação será de grande ajuda, juntamente com a contemplação e recitação desse princípio.

Terceiro princípio: Seja grato (Kansha shite)


A gratidão é um dos estados mais transformadores que eu conheço. O treino da gratidão transformou completamente minha vida e sempre que retorno ao paradigma de escassez, focando de maneira tóxica naquilo que me falta, volto a reforçar o treino desse princípio. Vamos explorar melhor essa ideia.


É muito comum depositarmos nossa expetativa de felicidade naquilo que ainda não temos. Isso é o que eu chamo de paradigma de escassez. Por exemplo, estamos descontentes se não temos um carro, uma casa, um celular de última geração etc. Acreditamos que alcançando essas posses, tão almejadas por nossa cultura, teremos um grande contentamento. Mas de fato, quando nos é possível possuirmos esses bens, nos alegramos por um tempo, mas depois nossa mente já fica insatisfeita de novo e projetamos em outras coisas nossa expectativa de felicidade. E isso é um saco sem fundo.


Esse tipo de visão pode relacionar-se com vários tipos de objetos materiais ou a questões diversas como ser reconhecido, ter aprovação das pessoas, ter poder etc. Muitos acreditamos por exemplo que se tivermos fama e/ou dinheiro aí então teremos felicidade absoluta. De fato, temos muitos exemplos de pessoas que conquistaram isso e, passado o deslumbramento, perceberam que não era isso a causa de felicidade mais duradoura. Para algumas dessas pessoas, essa descoberta gerou grande processo de autoconhecimento e amadurecimento, para outras foi a porta para drogas, depressão ou outros estados internos desafiadores. 


Ao treino da gratidão, eu particularmente, chamo de cultivo de apreciação. Recomendo começar inicialmente com circunstâncias favoráveis que nos rodeiam. Quando acordamos, por exemplo, podemos apreciar o fato de termos tido uma cama para repousar e um teto para nos abrigar das intempéries. Ativamos esse reconhecimento, lembrando que isso não é algo natural e que muitos seres hoje mesmo, não tiveram essa situação favorável. Geramos a aspiração que todos os seres tenham bem estar e nos alegramos por termos uma condição tão favorável. Quando vamos tomar banho, podemos contemplar o fato de que muitos de nós, podemos ter acesso à água boa e ainda aquecida, simplesmente girando a torneira. Nos recordamos que muitos seres não dispõe de energia elétrica, nem água disponível abundantemente. Aspiramos que todos os seres tenham condições favoráveis no que tange à água, e nos alegramos pela benção de termos essa facilidade. Quando nos alimentarmos, nos lembramos que muitos desses alimentos precisaram de semanas ou meses para serem produzidos, transportados e preparados até chegar ali diante de você. Quantos nutrientes, água, energia do sol, trabalho e sonhos foram dispensados para esse alimento que te serve agora. Nos recordamos que muitos são os seres que não se alimentaram nem hoje e nem ontem. Aspiramos que todos seres tenham alimento e nos alegramos pela benção de podermos fazer essa refeição.


E nesse mesmo sentido, podemos treinar essa visão com muitas outras situações em nossa vida e aos poucos estabilizamos uma visão que eu chamo de paradigma da abundância. Reconhecemos que somos cercados de bençãos a todo instante. Nosso padrão interno muda e temos muito mais energia e leveza para nos mover na vida. Isso nada tem a ver com resignação. Continuamos traçando objetivos, mas agora estamos vibrando alto e a satisfação e contentamento começam a nos visitar cada vez mais frequentemente, independente de nossas expectativas e circunstancias externas.


As pessoas e a própria vida vão começar a reagir ao seu estado interno saudável. Pense: como nos sentimos quando estamos com pessoas que só reclamam de tudo o tempo todo? Como é estar com pessoas que tem presença, alegria, leveza? Outro aspecto interessante é que podemos também contemplar situações desafiadoras sob a perspectiva da gratidão. Entendendo que, mesmo que não compreendamos assim agora, podem trazer movimentos importantes em nosso crescimento.

Quarto princípio: Cumpra seus deveres (Gyo o hage me)


Esse é mais um princípio nos ajuda a alcançar paz e equilíbrio interior. Já vi outras versões desse princípio, por exemplo “trabalhe honestamente” ou “trabalhe com afinco”. No entanto, na minha compreensão essas adaptações não traduzem a essência do princípio.

Particularmente não vejo aqui um sentido moral do que se deve fazer ou não. Nem mesmo vejo uma relação direta com trabalho. Entendo ele como o cumprimento daqueles deveres que lhe cabem segundo sua própria consciência.


Dentre nossos maus hábitos de corpo, fala e mente, um muito frequente é a procrastinação e a preguiça. Dessa forma deixamos para depois coisas que poderíamos realizar agora e a o invés de nos dedicar por um momento e usufruir da satisfação da tarefa cumprida, vamos adiando nossos compromissos, experienciando angústia e ansiedade. Portanto faça aquilo que você pode fazer hoje dentro daquilo que são seus deveres, com diligência. Deixe para depois (não se preocupe) com o que não pode ser beneficiado com nenhuma ação presente.

Quinto Princípio: Seja gentil com as pessoas (Hitoni shinsetsu ni)


A gentileza cria um ambiente interno e externo muito favorável. Se somos gentis verdadeiramente, conosco e com os outros, experienciamos um cenário que propicia florescimento mútuo e grande melhoria das relações. Quando digo ser gentil verdadeiramente, estou me referindo a ir além das aparências ou interesses. Shinsetsu vai além do que simplesmente gentileza, mas também abarca o sentido de bondade e compassividade, que trazem consigo a aspiração que todos tenham bem estar e realização.


Uma observação importante é nos incluirmos nesse “todos”. No início da minha trajetória como terapeuta e voluntária eu dedicava muita atenção a fazer bem para as demais pessoas, mas me relegava sempre ao segundo plano. Nessa perspectiva muitas vezes me deparei exausto e com minha saúde fragilizada. É importante também sermos gentis conosco mesmos e observamos nossos limites. Se estamos saudáveis de corpo e mente, muito mais condições temos de gerar benefício aos seres. Outro ponto que me gerou muita dúvida no início, a respeito do “seja gentil com as pessoas”, foi a pergunta, e os outros seres, por exemplo as plantas e animais não humanos? Meus mestres me orientaram que quando cultivamos shinsetsu, essa qualidade se estende naturalmente a todos as nossas relações.

Como praticar o Gokai


Fiz vários comentários, nos itens anteriores, a partir de minhas reflexões e compartilhando dicas do que funciona para mim. O fundador do método, Usui Sensei, recomendava recitarmos esses princípios todos os dias com a boca e coração, de manhã e a noite.


Entendo que, a prática da manhã seria como um conselho para o dia, ou seja, iniciamos nossas atividades com uma disposição interna saudável. A prática da noite seria como uma revisão dos acontecimentos do dia e liberação daquilo que nos é prejudicial, harmonizando nossos estados internos.


É muito interessante observar que quando recitamos e contemplamos com frequência os cinco princípios do Reiki, eles começam a emergir cada vez mais naturalmente em nosso cotidiano e assim vamos integrando esse modo de conduta e filosofia de vida salutar. Muitos praticantes não conhecem os Gokai ou os utilizam apenas como decoração de parede. Creio que o objetivo deles, que são a base do Reiki, é propiciar uma assimilação e cultivo de maneira que emanemos os princípios naturalmente em nossas ações de corpo, fala e mente.


Outro aspecto que aprendi ao longo de minhas formações é que recitar na língua original pode ter um efeito vibracional, pois é considerado um kotodama, ou palavras de poder. Podemos recitar em voz alta o original por exemplo para saturar o ambiente com a energia Reiki e assim realizarmos a harmonização do mesmo.


Durante minhas aulas, muitos alunos atualmente questionam o uso do “não” em expressões, por exemplo “não se zangue”. Sempre recomendo aos estudantes recitar a versão original em japonês e ficar à vontade para recitar a tradução ou não. Também ofereço a possibilidade de após a recitação da versão original, recitar mais algumas frases que eu criei, caso ele se interesse.


Deve ficar claro que esse item, o qual chamo de “afirmações para transformação pessoal” não é a tradução dos Gokai, nem faz parte do método original, mas são frases que se conectam com o sentido que entendo dos princípios e que tem me trazido grande bem estar ao longo desses anos, considerando nosso contexto de uma mentalidade ocidental. As afirmações para transformação pessoal são:

* Só por hoje, eu cultivo a paz dentro de mim,

e que ela se expanda para todos os seres.


* Só por hoje, eu vivo no aqui e o no agora, e me liberto

de qualquer peso do passado ou expectativa do futuro.


* Só por hoje, sou grato por toda e qualquer

experiência que surgir em minha vida.


* Só por hoje, cumpro meus deveres diligentemente.


* Só por hoje, manifesto compaixão, bondade e

gentileza, através de minhas ações de corpo, fala e mente.

Fico muito grato por ter compartilhado com você essas reflexões que me são tão importantes. Desejo que ajude você assim como tem me ajudado. Releia esse texto quantas vezes achar necessário, reflita, teste por várias semanas seguidas e tire suas próprias conclusões, frente aos resultados. Lembre-se que o que mais irá fazer a diferença é a constância e persistência na prática. Portanto fazer a recitação e contemplação um só dia por semana, por exemplo, dificilmente vai trazer resultados duradores.


Fraterno abraço!


Eduardo Isaac

Terapeuta e Instrutor de Reiki





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