O que é o Reiki e como ele ajudou a transformar minha vida

No início de 2010, quando uma amiga me convidou a fazer o curso de nível 1 em Reiki, eu não tinha a menor ideia do que se tratava. Seria uma filosofia? Seria uma religião? Seria uma técnica? Nesse artigo compartilho com você um pouco dessa jornada de descoberta.





O que é esse tal de Reiki?


Mesmo sem saber o que aquilo significava, senti-me atraído pela possibilidade de aprender sobre tal “Energia” que nos cerca. Eu estava passando por vários desafios internamente e estava aberto ao que talvez pudesse me ajudar a trazer reequilíbrio emocional, aumentar o meu ânimo que andava quase nulo, reduzir minha elevada ansiedade que já tinha rendido uma crise, e me ajudar a lidar com um início de depressão que tornava o levantar cedo todos os dias, para ir ao trabalho, extremamente difícil. Eu também queria me conhecer mais e quem sabe encontrar algum propósito e uma vida mais significativa. Nesse contexto, respondi afirmativamente ao convite e somente depois fui procurar saber mais sobre o que era aquilo.

Após fazer o curso inicial de Reiki e realizar algumas pesquisas superficiais, juntando uma informação daqui outra dali, consegui construir uma ideia de definição inicial: uma Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) que promove relaxamento, equilíbrio e bem-estar, através da imposição das mãos e outras técnicas, utilizando a Energia Universal e contribuindo, assim, para a saúde em sua Integralidade. Mas, ao longo de minha formação, cada vez que me aprofundava, essa definição já não abrangia todos os aspectos e possibilidades do Reiki.


Mesmo hoje, como Mestre Reiki, continuo aprendendo e me surpreendendo com frequência. Aliás, um dos grandes aprendizados que obtive é que, quando você julga saber tudo sobre algo, você já está fechando as portas para todo avanço possível. Isso é o famoso “copo cheio”. Mesmo tendo terminado a formação convencional no Reiki, continuo sendo aluno e fazendo cursos com frequência para me aprimorar. Como instrutor, considero que devo ser sempre um aprendiz, para melhorar meus cursos, meus atendimentos terapêuticos, meu entendimento sobre a área e avançar em meu treinamento pessoal.

Com o passar do tempo ficou mais claro para mim que o Reiki estava muito além de ser somente uma técnica de imposição de mãos. O Reiki é um método que abrange dezenas de técnicas que você pode aplicar em si mesmo ou em outras pessoas. Ele também abrange o treinamento da mente, através da prática meditativa e mediante a recitação e contemplação dos Gokai - os cinco princípios do Reiki - para desenvolvermos uma perspectiva saudável sobre a vida, sobre nós mesmos e nossas relações. Tudo isso traz um grande potencial de transformação pessoal e pode ser estudado por pessoas de qualquer orientação religiosa, estimulando o autoconhecimento e fortalecendo a cada um na sua jornada individual. Aos poucos, o Reiki tornou-se, para mim e para muitos, um caminho de harmonia interior, aprimoramento contínuo, bem-estar e felicidade.

Muitos praticantes de Reiki, costumam replicar exatamente aquilo que aprendem nos seus cursos, sem espaço para questionamento. Eu recomendo a todos meus alunos que avaliem até o que eu estou dizendo e se sintam livres para mergulhar no universo da pesquisa, reflexão e abertura a outras perspectivas. Acredito muito em dois pilares que devem embasar nossa jornada: empoderamento e autonomia. Nossas certezas de hoje, podem ser ultrapassadas e abandonadas amanhã, por nós mesmos, frente a novas experiências e aprendizados.


Reiki como Prática Integrativa e Complementar em Saúde

O Reiki pode ser apresentado como um dos procedimentos no rol das Práticas Integrativas e Complementares (PICS), uma vez que o termo “Terapia Alternativa” caiu em desuso. Por algum tempo utilizou-se as expressões “Medicina Alternativa”, “Terapia Alternativa”, dentre outras nessa mesma linha, que indicavam, na década de 60, um movimento de oposição a um modelo de saúde com forte tendência a medicalização da sociedade e com relação íntima com grandes corporações que objetivam lucro. No entanto, o termo alternativo não é indicado, pois propaga uma noção de que podemos substituir uma opção por outra, no caso a medicina convencional por outras práticas. É um modelo “um ou outro”. Já a expressão “Prática Integrativa e Complementar em Saúde”, adotada atualmente nas políticas públicas brasileiras, pode ser utilizada com mais acerto, o que justificamos refletindo sobre cada parte da mesma. Vejamos:


Uma Prática


O Reiki, bem como as demais PICS (entre elas, Yoga, Medicina Tradicional Chinesa e Medicina Ayurvédica) não devem ser referidas como técnicas, mas como práticas, compostas por vários procedimentos, teoria e recursos próprios para o favorecimento da saúde, advindos de tradições de diferentes povos – alguns remontando a várias décadas; outros, a milênios.



...Integrativa


Refere-se a uma visão integral sobre o ser humano, o qual não mais é visto como unicamente um corpo material palpável, mas um ser composto por vários aspectos e dimensões interdependentes que se influenciam mutuamente para saúde ou desequilíbrio. O conceito de holístico também abarca o mesmo sentido: uma visão sobre a totalidade e relação entre as partes, entre aspectos sociais, psíquicos, biológicos, energéticos e espirituais. Diferentes abordagens de cuidado com a saúde podem se integrar para a promoção do bem estar global, sem hegemonia de uma ou de outra, devendo-se considerar cada indivíduo e cada momento experienciado.



...e Complementar


Um dos grandes méritos das PICS é ampliar a visão sobre o ser humano, complementando os recursos convencionais ocidentais, em parceria, seja na prevenção, seja na recuperação da saúde, podemos expandir o bem-estar humano, geralmente com custo reduzido significativamente para a população e para gestores de serviços de saúde.


Um pouquinho de legislação


Segundo a Política Nacional das Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), as PICS compreendem sistemas e recursos envolvendo abordagens que buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. Outros pontos compartilhados pelas diversas abordagens abrangidas nesse campo são a visão ampliada do processo saúde-doença e a promoç